Janeiro 02, 2012

CINCO MINUTOS

Você já parou pra pensar como cinco minutos podem fazer diferença na sua vida? Quantas coisas, quantos destinos, quantas vidas podem ser mudadas ou alteradas em cinco minutos?

São 300 segundos. Tic tac. Tic Tac. Um cachorro pode latir quase seissentas vezes nesse tempo. Se a torneira ficar aberta, são cerca de doze litros de água que vão embora. E uma casa, pode ser consumida por chamas neste tempo. Você pode saber a história da vida de uma pessoa em cinco minutos. Enquanto o relógio cronometra este tempo, os dois mendigos parados na frente da festa passam a ser o Alaércio e o Sebastião. A tia que faz o café, confessar que quer escrever um livro de poemas um dia. O seu marido, ceder à traição.

Em cinco minutos você pode conhecer o amor da sua vida. Como pode passar a odiá-lo também. Em cinco minutos você pode ficar sem ar de tanto rir, ficar bêbado e pode cair e levantar várias vezes. Por mais que levantar lhe ocupe mais tempo, você sempre vai levantar. Acredite. Cinco minutos podem ser usados para tomar uma decisão. Pode ser o tempo necessário para se arrepender dessa decisão ou o tempo de segurar o choro por causa dela. 

Em 300 segundos você pode seduzir alguém. Pode dar motivos para que essa pessoa te ame ou te odeie. Te odeie. Sinta repulsa. E na pior das hipóteses, seja indiferente. Tudo isso nesse pequeno intervalo de tempo. Cinco minutos passam muito rápido enquanto dormimos, comemos, nos divertimos, estamos com quem amamos. Mas cinco minutos também passam bem devagar, quando estamos na missa, sentimos fome, ouvimos sermão, falamos com o chefe ou quando nos machucamos. Ou quando nos machucam. 
A dor? Ah... essa aproveita bem o lancinante tic tac do relógio. 
De maneira que chega a dar eco.
Tic tac.
Tic tac.
Tac.
Tac.

Dezembro 30, 2011

Um ano de revoluções


Revolução árabe, 15.O, ocupações de reitoria. Mas mais que isso: uma revolução na minha vida

Eu sei que todo final de ano é a mesma coisa, o pessoal começa com suas retrospectivas do ano que passou e publicam em algum lugar da internet, como se fosse interessante para os outros saberem disso. Para os outros pode não ser, mas para quem faz, é uma espécie de desabafo, uma necessidade de relembrar o que aconteceu de bom e também, o que aconteceu de ruim. Reafirmar sentimentos que já existiam ou passaram a existir e extinguir aqueles que foram desvalorizados. Reafirmar o que fez bem e analisar o que fez mal, para que não aconteça novamente. E é nesse intuito que eu, após abandonar meu blog por meses venho traçar a minha retrospectiva de dois mil e onze.
Posso dizer que foi um ano de grandes emoções. O início do ano serviu para que ex amores mostrassem quem verdadeiramente eram e me explicassem porque eram ex. Vi a face mais obscura da injustiça ao ouvir absurdos e ameaças da pessoa a quem dediquei boa parte da minha vida. A pessoa que por muito tempo foi o meu Norte. É uma queda cruel. Mas nada que uma gordinha serelepe não consiga se recuperar.

Aproveitei-me desse rompimento por completo para dedicar-me ao que muitas vezes fui privada: a luta. Não só a luta física (querido Muay Thai que precisei abandonar de novo) mas a luta pela sociedade ideal. Pelo que eu acho certo, por uma sociedade igualitária, sem preconceitos, sem miséria,sem corrupção. Esse caminho da militância foi meio tortuoso no início. Pensei que um partido político dito “de esquerda” seria a melhor opção para militar. Ledo engano, pois com o passar do tempo percebi que os interesses que eram tratados ali não eram os do povo, mas de uma minoria burguesa que ditava as regras conforme estava o vento do governo. E como tanto federal como estadual são deles, as minhas lutas que iam de encontro aos interesses/metas/idéias deles, fiquei patinando, sem sair do lugar. Uma militante solitária.
Então, conheci pessoas que tinham os mesmos propósitos que eu e surgiu o Nada Será Como Antes. Aonde as discussões foram aprofundadas e uma chapa para concorrer ao DCE da UPF foi montada. As eleições foram uma palhaçada, contra o estatuto, com ameaças contra os nossos apoiadores e integrantes da chapa, mas no fim, saímos todos vivos e sem desistir da luta. Pode parecer piada, mas levado para nível nacional sabemos que historicamente, a União da Juventude do Sarney já matou por menos.
Eleições essas que além de me acrescentarem muito politicamente, acrescentou sentimentalmente. Conheci pessoas que nunca conheceria se não fosse pelo movimento. Pessoas com quem tive conversas que duravam horas sobre a situação política do país, mas que também fiz festas memoráveis que merecem até hoje um cantinho no baú das melhores memórias.

Conheci amigos, companheiros de luta, amigos-companheiros de luta, amigos-companheiros de luta-namorado.Como assim? Assim mesmo! Um dos militantes que veio de fora (no caso, do DCE da UFRGS) para nos ajudar, se mostrou o cara mais legal que eu já conheci na vida. Que despertou em mim, sentimentos que eu nem sabia que poderiam existir, tanto pelos outros, quanto por mim. Sabe, dos meus poucos anos de vida aprendi que não é legal ficar projetando demais a vida ao lado de outra pessoa, pois caso não dê certo, a frustração e a decepção aparecem de forma ainda mais dolorosa. Mas ele me ensinou muita coisa e se eu pudesse escolher alguém, mesmo com todos os defeitinhos, seria ele. Enfim.
Na metade do ano teve o CONUNE. Experiência que serviu ara mostrar o quanto o Movimento Estudantil pode ser corrompido. A UNE que muito foi de luta nas décadas passadas, hoje não representa o estudante e a sua luta. É capacho do governo e pior ainda, se envolve em escândalos que comprovam o uso de verbas destinadas ao movimento em festas particulares. Esses são os que assumem cadeiras do senado, das câmaras e que fazem showmícios enquanto embolsam o seu dinheiro. Esses são os políticos de amanhã.
A experiência do CONUNE serviu (além de testar meu tempo máximo sem fazer chapinha) para mostrar que o partido que eu já muito havia defendido, que na sua criação ditava que apenas o socialismo era a saída para uma sociedade justa, de fato não me representava mais.

E um debate sobre homofobia organizado pelo DAALL, um dos poucos DA’s de luta da UPF, abriu meus horizontes. Sentimentos que há muito vinham sendo reprimidos encontraram força quando conheci algumas pessoas que estavam lá. Fui convidada a participar de uma reunião de um tal grupo que estava surgindo depois do debate. Aquele que desencadeou em mim a coragem de assumir que gostava tanto de homens quanto de mulheres também foi o fomentador para que muitas pessoas sentissem a necessidade de militar pela causa LGBT.
Nasce então o Plural. Um coletivo que com apenas três meses de vida, já tem visibilidade nacional.  Estamos começando, engatinhando, mas é claro para todos que o futuro é nosso.

Tiveram ainda eleições para Diretório Acadêmico. Primeiro o DAALL, que o PCdoB teimosamente tenta ocupar há anos, mas como tal partido e luta não cabem no mesmo espaço, óbvio que a vitória foi nossa. Uma vitória gostosa não só pelo fato de ser uma vitória, mas por ser uma vitória sobre pelegos declarados.
Depois ainda, eleições para o DAINFO, chapa única, mas nossa também.  E na mesma época, eleições para o DACG, na FAC, meu prédio. A Chapa (esse era o nome mesmo. Hehe) surgiu naturalmente, com pessoas que queriam reerguer o DA após tanto tempo fechado e, quem sabe, zerar as dívidas que a penúltima gestão deixou. Dívidas descabidas e algumas, inclusive, pessoais dos representantes. Exemplo claro de que o mau caratismo não poupa nem colegas e companheiros de curso. Tivemos uma vitória digna, mais que o triplo dos votos que a outra chapa. Outra chapa essa, que ganhou “auxílio” do nosso DCE pelego.  E mais uma vez a vitória teve um gosto acentuado. Mais uma vez quem é de luta MESMO ganha e deixa a pelegada chupando o dedo.
Ainda o DCE da UFRGS, que eu quase morri de nervoso por que não podia fazer nada daqui de Passo Fundo a não ser campanha via internet. Mas que foi uma das várias vitórias saborosas que tivemos. Que ganhou das pseudo-esquerdas e da direita assumida, essas que diziam que o lugar do negro é na cozinha do RU.

E o jornalismo?
Ah o jornalismo... Comecei o ano com uma crise de curso/profissão. Pensei em desistir, trancar a faculdade, não era aquilo que eu queria.
Eu que trabalhava de secretária num lugar aonde tinha muitos amigos, sofri mais uma vez com a punhalada da falsidade. Um destes “amigos” , por motivos ainda desconhecidos, agiu de maneira com que eu fosse demitida. Foi tenso na época. Sempre fui  eu que paguei as minhas contas e sem emprego, trancar a faculdade não seria só pela crise de identidade.
Eis que surge um estágio, para jornal impresso. O sonho, do início da faculdade virava realidade. Independente da editoria, independente de se era estágio, eu estava dentro de uma redação e era isso que importava. Hoje, não troco por nada! O salário é pouco?É. Tive que financiar a faculdade porquê com a bolsa do estágio não ia rolar? Sim. Mas nem to. É aquilo que eu quero e por isso que eu estou ali.
Conheci profissionais maravilhosos ali dentro e nos quais tento me espelhar todos os dias ( mas fica em off pra não se acharem) e tenho certeza que tiro mais conhecimentos dali do que da própria academia. 

Momentos
Conhecer o pessoal do O Teatro Mágico foi um sonho realizado. Um dos momentos mais felizes da minha vida. Que eu certamente NUNCA vou esquecer.
Os almoços memoráveis da FAC. Cada um com uma história para ser contada durante anos.
A perda de um mestre. Uma dor que eu nunca tinha sentido.
As milhões de mudanças de cabelo que eu fiz.
Os amigos de POA, que ouviram muito de mim antes de me conhecer. Cada um com a sua loucura, digo, singularidade. Todos (ou quase todos) especiais e que já me conquistaram.
Seja na minha barraca ou na tua, com bilisquili ou não. Só quero que me diga uma coisa:
O que é que tu achou do Plínio?

Sei que muita coisa ficou de fora, mas não é menos relevante.Deve ser levado em consideração que são 06:36 da manhã e que depois que eu postar isso, que eu vou dormir.

E para o ano que vem, ouso parafrasear Walt Whitman:
“A pé e de coração leve enveredo pela estrada aberta
Saudável, livre, o mundo à minha frente
À minha frente o longo atalho pardo levando-me aonde eu queira
Daqui em diante, não peço boa-sorte. Boa-sorte sou eu...” 

Que a poesia prevaleça na vida de todas as pessoas.
Um Feliz 2012. Uma feliz vida. Viva. Seja.
Let it be.

Outubro 18, 2011

dezenovedodezdedoismileonze



Tem dias que os meus sentimentos saltam pelos olhos. Ainda hoje isso aconteceu. Enquanto digitava mais um texto e fumava mais um maço de cigarros, liguei o velho rádio que tenho ao lado da máquina de datilografar e ouvi o trecho “às vezes dá vontade de jogar tudo pro alto e sumir, mas sei bem quem ta comigo e não deixa eu desistir” lembrei de muitos flashs da minha vida, que definitivamente, só superei porque minha mãe Oxum nunca me abandonou. E não ia ser agora... Apesar das lágrimas, a fumaça ainda me distraía , como se dançasse a minha volta...
E o conto de fadas agora acabou. Ninguém mais nesse mundo meu filho- acredite!- luta por amor.

Outubro 17, 2011

Sábias palavras


Sobre como amar uma mulher


“Você pode não ser o primeiro homem dela, o último homem dela ou o único homem dela. Ela amou antes, pode ser que ela ame de novo. Mas se ela se ama agora, o que mais importa? Ela não é perfeita - você também não é, e vocês dois podem nunca ser perfeitos juntos, mas se ela te faz rir, te faz pensar duas vezes, e admite ser humana e cometer erros, segure-se a ela e dê a ela o máximo que você puder. Ela pode não estar pensando em você a cada segundo do dia, mas ela te dará uma parte dela que ela sabe que você pode quebrar - o coração dela. Então não machuque ela, não mude ela, não analise e não espere mais do que ela pode dar. Sorria quando ela te fizer feliz, diga a ela quando ela te deixar com raiva, e sinta a falta dela quando ela não estiver por perto.”

Bob Marley

Setembro 06, 2011

A poesia prevalece

Quando show e espetáculo viram uma coisa só

     Passo Fundo. 25 de agosto de 2011. Manhã nublada, fria e fechada. Eu tremia. Um dos dias que eu mais esperei na minha vida estava prestes a se tornar realidade.
    Quando eu ouvi “Senhoras e sem dores, respeitável público pagão, bem vindos ao Teatro Mágico” minhas pernas amoleceram. Fernando Anitelli entrou no palco, com o rosto mascarado pela pintura característica da trupe. Quando ele se postou na minha frente com aquela capa de veludo vermelho e disse a frase que eu mais ansiava ouvir, admito, uma lágrima rolou pelas bochechas gordinhas e cheias de blush.
     “A poesia prevalece!” me deixou arrepiada. A ficha caiu. Era realmente O Teatro Mágico que estava ali, na minha frente. Prestes a entoar as canções que mais me emocionam, que mais me tocam.  Sentada no chão sem qualquer calçamento do Circo da Cultura, eu pouco me importava se as pessoas achariam estranho me ver chorando, hipnotizada e depois rindo realizada.
     O Teatro Mágico subiu ao palco para mostrar aos leitores como a união de poesia, música, arte performática e humor é possível. E de maneira simples, arrancaram aplausos entusiasmados dos pequenos que assistiam hipnotizados a performance de Déinha Lamego no tecido e dos maiorzinhos, que tinham os olhos brilhando enquanto entoavam as composições de Fernando Anitelli. 
    Junto comigo estavam os meus Camaradas d’água Mateus e Vanne que, assim como eu , evocaram da sombra uma inquietude que só acalmava com o som da trupe. Partimo-nos em vários enquanto acompanhávamos as frases do show que pareceu tão curto, enquanto a porta do camarim virou ponto de conversa ou quando saímos como se fôssemos grandes amigos (acho até que somos).
     Eu precisava pegar algumas falas do Fernando para fazer uma matéria. Ser profissional naquela hora exigiu bastante esforço. Enquanto eu perguntava ou escutava atentamente o que ele falava, o microfone chegava escorregar na minha mão, de tanto que ela suava. Anitelli respondia com naturalidade e com gosto em dar respostas com conteúdo tremendo.  Mais que um cantor, sem dúvida. Um cara, um papo, um sopapo, um papelão
     Anitelli se mostrou simpático e muito acessível. Respondeu calma e pausadamente com riqueza de detalhes todas as questões por mim levantadas. Contou de onde surgiu a idéia da trupe, gesticulava o tempo todo enquanto me falava a maneira como tantos raros foram se agregando e me fazia rir com seu tique nervoso. As 'quebradinhas' de pescoço e piscadas apenas com o lado direito dissiparam todo o meu nervosismo.
     Sem contar a minha emoção, quando Fernando viu a minha tatuagem que tem escrito "A poesia prevalece", na panturrilha e disse que demonstrações como essa são de uma gratificação enorme para ele e o quanto essa frase é importante para ele.Uma filosofia de vida. Assim como para mim.
Foi um dos dias mais felizes da minha vida, tenho certeza. E só queria dividir com vocês.
Certamente não é dos meus melhores escritos, mas certamente, o mais carregado de emoção e satisfação.

O Teatro Mágico surgiu em dezembro de 2003, pela atitude de Aniteli que ao freqüentar saraus literários, ficava perplexo com a beleza da junção de manifestações artísticas que acontecia ali. E a idéia foi partilhada com amigos e amplificada indo, então, pra cima de um palco. A questão do palhaço surgiu um pouco mais tarde, com inspiração na “commedia dell'arte” numa tentativa de igualar o artista e o expectador. Transcender a barreira palco-platéia afinal, todo mundo tem um pouco de palhaço.
A Trupe
A trupe vem de Osasco e traz em seus arranjos frases que nos levam a reflexão, como em Zazulejo, que conta a história de pessoas que falam erroneamente algumas palavras e finaliza com a impactante frase “Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”. O Teatro nunca teve uma música no pódio das paradas de sucesso, mas acredita que o seu trabalho está sendo cumprido: “Mesmo que não esteja na mídia, está sendo produzido, está sendo consumida por alguém. Mesmo com tantos tipos de músicas que são ouvidas atualmente, sempre haverá gente tentando fazer música de resistência com letra bacana e um bom arranjo. E sempre haverá alguém que vai simpatizar e gostar” diz Anitelli. 
O vocalista ainda afirma que a internet acaba sendo uma concorrência direta com as rádios, pois divulga o trabalho dos artistas numa velocidade imensa, além de dar ao artista a possibilidade de ‘existir’. A rede tira o atravessador cultural deixando o artista frente a frente com o público. E isso é fundamental.

Agosto 31, 2011

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" E um dia ela viu
Aquela história de príncipe e cavalo branco 
era tudo pataquada. 
E se existe palhaço sem o vermelho no nariz
A história foi inventada!
E nunca vai existir o tal do final feliz, isso é fato"
NCS

Abril 18, 2011

O adeus do Jacaré

 "E foi uma descoberta de um paraíso dentro do inferno. Porque o Brasil é um inferno e o Capingüi um paraíso"

João Carlos Tiburski, assim constava o nome do professor no comprovante de matrícula.
Tiba, assim era chamado por todos dentro da Universidade e da Faculdade de Artes e Comunicação.
Jacaré.Assim era chamado apenas por quem realmente gostava dele.
O nosso jacaré. Aquele que demorava pra entrar na sala de aula e saía tão rápido qeu a gente não via. Era um mestre, sabia muito o Jacaré. Ensinava muito mais nos corredores do que na sala de aula. Quanta coisa aprendi parada em frente a "A Vara" pertinho dos banheiros, quantas histórias eu ouvi enquanto tragava mais um cigarro no banco da FAC. Ele que vinha pigarreando e tossindo, sempre! e que me apresentou um tal pózinho que mais parecia café, que ele ficava cheirando e cheirando e dizia "isso aqui é pra não ter vontade de fumar ,jacaré" .
Ele que muito lia meus textos e sizia "Manda esse pro Crônicas, tenho certeza que vai" e eu mandei. Porque o Tiba disse. O jacaré falou. E quando o texto realmente foi selecionado, veio ele se oferecer para mostrar quantos votos de sim tinha recebido, e todo contente : "a tua vai ser ilustrada jacaré." 
Tivemos brigas também. Discussões políticas eram as mais fervorosas,realemente.Mas não tinha nem comparação com a fúria dos alunos que tinham aula no sábado de manhã. Era uma tal história de chegar as 8 e ir embora menos de duas horas depois. Cerca de 9:30 ou 9:40 da manhã, o Tiba começava a ficar ansiado e perguntar se já tínhamos entendido a matéria, se já havíamos terminado as atividades,afinal "Fim de semana é dia de ir pro Capingui,ir no sábado e voltar no domingo". E com aquele jeitão dele, ele conquistava os alunos. Conquistou a gente. Ganhou a gordinha. Mas nesse domingo, ele não voltou. Nadou pela última vez, ficou aonde mais gostava. Na água, aonde jacaré tem que ficar.
Ele, que era amante da boemia, da cultura, da leitura, das artes. O nosso Bukowski faquiano.Como disse meu colega Artur "Vai o mestre, ficam seus discípulos." Foi mais do que matéria o que ele nos ensinou, foi um estilo de vida. Ele nos ensinou a ser  mais que jornalista, nos ensinou a ser o jornalismo.
Vai com Deus Tiba, sei que você já deve estar tomando um vinho aí em cima, apenas esperando e esperando. Não é a toa que o tempo está assim, fechado, chovendo.O capingui está em luto.A FAC está em luto. O jornalismo brasileiro está em luto.
E nunca mais ninguém me diga que jacaré não entra no céu.

Abril 04, 2011

Quase uma Ingra (:




“Tenho cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessas horas não sei onde foram para minhas ideias viris. Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease. Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se.”
Martha Medeiros 

Março 31, 2011

O palhaço pena, quando cai o pano e o pano cai.






"Devemos visitar os bastidores de nossa alma, fantasiados de palhaço. 

 Dessa forma, podemos sorrir de nossas falhas e tripudiar das inseguranças,
 atraindo-as para o nosso maior aliado: o picadeiro.
É aqui, que as feras de orelhas enormes minguam
ao som dos aplausos de Deus e dos nossos amigos."

Augusto Vicente



Março 16, 2011

Fragmentos



"- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu."
Caio Fernando Abreu